A falta de carácter de Manuel Alegre: em Dezembro de 2008 no fórum 'Democracia e serviços públicos' afirmou que "com este PS, liderado por José Sócrates, dificilmente será candidato nas próximas eleições legislativas.". E assim foi. Mas, ontem, em Coimbra esteve de mão dada com Sócrates. José Lello já o tinha dito em Março de 2009, quando afirmou que o "vice do Parlamento já começa a raiar a falta de carácter".
domingo, 20 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
Táctica e Estratégia
No Público de dia 18/9/2009 o Professor Luís Campos e Cunha escreveu, mais um, excelente artigo, extremamente oportuno:
"O Bloco de Esquerda cresceu em visibilidade e em votos, em boa parte graças a SócratesO Bloco de Esquerda (BE) cresceu muito e a gripe A vem aí em força (mas estamos preparados): o que tem isto a ver com táctica e estratégia? Tudo.
Qualquer livro de aeroporto nos ensina, em termos simples, que a táctica tem a ver com alcançar objectivos de curto prazo; e que a estratégia pretende alcançar os grandes objectivos, a mais longo prazo. Neste sentido, a táctica deve obedecer aos objectivos estratégicos. Não é este, no entanto, o sentido coloquial das expressões, em que tudo é estratégia. Fala-se, em política, da estratégia para um debate, quando devíamos chamar-lhe táctica; fala-se, no mundo das empresas, de estratégia para lançar um produto, quando é táctica. O objectivo estratégico é, em cada caso, ganhar as eleições ou aumentar a quota de mercado e os lucros.
Alem disso, (pelo menos) em política, nem sempre a táctica está ao serviço da estratégia, porque a visão dos intervenientes é demasiado curta. E, sobre isso, temos dois exemplos: o BE e a gripe A."
Desde o início da legislatura, Sócrates elegeu Louçã para opositor; tacticamente, deixava o PSD a falar sozinho. É certo que este ajudou metendo os pés pelas mãos, mas a táctica de Sócrates resultou. Contudo, neste caso, implicou uma derrota estratégica grave para o PS e para a democracia.
Foi chocante, quando o PSD apresentou um programa de medidas anti-crise alternativo ao do Governo, ele não merecer uma discussão séria. Sócrates, como manobra de diversão, preferiu ignorar a proposta, atacando Louçã para não discutir com o PSD. A comunicação social ajudou à festa: Sócrates e Louçã são bons tribunos e davam grandes frases para grandes títulos.
Esta manobra táctica teve ganhos (tácticos), mas consequências estratégicas graves. Primeiro, ao longo de quatro anos, a opinião pública ficou com a percepção de que a oposição era o BE, desviando o centro de gravidade da política para a esquerda. Louçã, naturalmente, agradeceu; aliás, há bem poucos dias, afirmava que se sentia muito honrado por Sócrates ter escolhido o BE como inimigo principal. Por isso, o BE cresceu em visibilidade e em votos, em boa parte, graças a Sócrates. Segunda derrota estratégica foi o Governo actual aparecer como sendo de direita; de facto, face ao opositor escolhido por Sócrates - o BE -, era verdade. Embora, em comparações internacionais, tal não fosse. Agora, parecer de esquerda (face ao Bloco) para ganhar votos é tardio e suicidário, porque o centro de gravidade da discussão política, por decisão táctica, está à sua esquerda. E arriscam-se a não ganhar votos à esquerda e a perder votos ao centro; ou seja, arriscam-se a perder as eleições.
Outro exemplo de manobra táctica, mas que resultou em pleno, foi o empolamento do problema da gripe A. Visitei Nova Iorque em Agosto, comprei o New York Times (o meu jornal preferido) todos os dias e não me apercebi de nenhuma notícia sobre a gripe A. E estava atento. Nas conversas com amigos americanos que visitei, nunca apareceu o tema da gripe A e, quando eu propositadamente o trazia à baila, ficavam surpreendidos com a conversa. Em Londres passa-se exactamente o mesmo: ninguém fala do assunto. E noutras capitais importantes, onde tenho conhecidos e amigos, a gripe A é uma não-notícia.
Tacticamente, o Governo elegeu como problema um não-problema: a gripe A. É um não-problema porque mata menos que a gripe normal, mas foi útil. Por um lado, resolver um problema que não existe tem sucesso garantido. Por outro, seria sempre um "problema" que vinha de fora e o Governo nunca seria culpado. Tudo isto para gáudio dos jornalistas que não tinham assunto para o Verão e passaram a ter. Converteu-se a ministra da Saúde em ministra da gripe, que nos ensina a lavar as mãos e que descreve em público a situação clínica de pessoas hospitalizadas (que eu não quero, nem tenho o direito de saber). Houve mesmo editoriais a elogiá-la como óptima ministra e grande comunicadora (por contraponto a Correia de Campos). Quando isto se estava a esgotar, apareceu o ministro do Trabalho e a Concertação Social discutiu o assunto. Finalmente, surge a ministra da Educação ajudando a manter a gripe A na agenda dos jornais. Foi golpe de mestre: discutiu-se a gripe mas não os problemas do país no período pré-campanha. Funcionou tacticamente e acertou com o objectivo estratégico. Só não tenho a certeza de que o país tenha ganho. Mas as empresas farmacêuticas também ficaram a ganhar: todas as velhinhas deste país andam com frasquinhos para desinfectar as mãos quando não o fazem com a gripe sazonal, muito mais perigosa do que a gripe A. E os anti-virais venderam-se como imperiais em Verão tórrido.
Mais exemplos se podem dar de manobras tácticas que, estrategicamente, podem ou não ser um desastre. O exemplo mais irritante é a utilização do mecanismo da inveja. Cada vez que se toma uma medida, contra os funcionários públicos, por exemplo, põe-se o país todo contra eles, com mecanismos bem orquestrados de inveja. Quando é contra os professores, faz-se o mesmo e o país clama por justiça popular. Tacticamente funciona, mas a prazo -estrategicamente-, como todos são, em algum momento, vítimas da campanha da inveja, ao fim de quatro anos temos todo o país irritado com Sócrates. Além disso, um povo picado pela inveja é um povo onde o eleitoralismo demagógico tem terreno fértil. E a demagogia e o populismo, estrategicamente, favorecem a direita (leia-se CDS-PP) ou a esquerda radical. E, logo, o PS sai mal, mais uma vez e infelizmente, mas por culpa de quem manda na estratégia governamental (ou será na táctica?).
Qualquer livro de aeroporto nos ensina, em termos simples, que a táctica tem a ver com alcançar objectivos de curto prazo; e que a estratégia pretende alcançar os grandes objectivos, a mais longo prazo. Neste sentido, a táctica deve obedecer aos objectivos estratégicos. Não é este, no entanto, o sentido coloquial das expressões, em que tudo é estratégia. Fala-se, em política, da estratégia para um debate, quando devíamos chamar-lhe táctica; fala-se, no mundo das empresas, de estratégia para lançar um produto, quando é táctica. O objectivo estratégico é, em cada caso, ganhar as eleições ou aumentar a quota de mercado e os lucros.
Alem disso, (pelo menos) em política, nem sempre a táctica está ao serviço da estratégia, porque a visão dos intervenientes é demasiado curta. E, sobre isso, temos dois exemplos: o BE e a gripe A."
Desde o início da legislatura, Sócrates elegeu Louçã para opositor; tacticamente, deixava o PSD a falar sozinho. É certo que este ajudou metendo os pés pelas mãos, mas a táctica de Sócrates resultou. Contudo, neste caso, implicou uma derrota estratégica grave para o PS e para a democracia.
Foi chocante, quando o PSD apresentou um programa de medidas anti-crise alternativo ao do Governo, ele não merecer uma discussão séria. Sócrates, como manobra de diversão, preferiu ignorar a proposta, atacando Louçã para não discutir com o PSD. A comunicação social ajudou à festa: Sócrates e Louçã são bons tribunos e davam grandes frases para grandes títulos.
Esta manobra táctica teve ganhos (tácticos), mas consequências estratégicas graves. Primeiro, ao longo de quatro anos, a opinião pública ficou com a percepção de que a oposição era o BE, desviando o centro de gravidade da política para a esquerda. Louçã, naturalmente, agradeceu; aliás, há bem poucos dias, afirmava que se sentia muito honrado por Sócrates ter escolhido o BE como inimigo principal. Por isso, o BE cresceu em visibilidade e em votos, em boa parte, graças a Sócrates. Segunda derrota estratégica foi o Governo actual aparecer como sendo de direita; de facto, face ao opositor escolhido por Sócrates - o BE -, era verdade. Embora, em comparações internacionais, tal não fosse. Agora, parecer de esquerda (face ao Bloco) para ganhar votos é tardio e suicidário, porque o centro de gravidade da discussão política, por decisão táctica, está à sua esquerda. E arriscam-se a não ganhar votos à esquerda e a perder votos ao centro; ou seja, arriscam-se a perder as eleições.
Outro exemplo de manobra táctica, mas que resultou em pleno, foi o empolamento do problema da gripe A. Visitei Nova Iorque em Agosto, comprei o New York Times (o meu jornal preferido) todos os dias e não me apercebi de nenhuma notícia sobre a gripe A. E estava atento. Nas conversas com amigos americanos que visitei, nunca apareceu o tema da gripe A e, quando eu propositadamente o trazia à baila, ficavam surpreendidos com a conversa. Em Londres passa-se exactamente o mesmo: ninguém fala do assunto. E noutras capitais importantes, onde tenho conhecidos e amigos, a gripe A é uma não-notícia.
Tacticamente, o Governo elegeu como problema um não-problema: a gripe A. É um não-problema porque mata menos que a gripe normal, mas foi útil. Por um lado, resolver um problema que não existe tem sucesso garantido. Por outro, seria sempre um "problema" que vinha de fora e o Governo nunca seria culpado. Tudo isto para gáudio dos jornalistas que não tinham assunto para o Verão e passaram a ter. Converteu-se a ministra da Saúde em ministra da gripe, que nos ensina a lavar as mãos e que descreve em público a situação clínica de pessoas hospitalizadas (que eu não quero, nem tenho o direito de saber). Houve mesmo editoriais a elogiá-la como óptima ministra e grande comunicadora (por contraponto a Correia de Campos). Quando isto se estava a esgotar, apareceu o ministro do Trabalho e a Concertação Social discutiu o assunto. Finalmente, surge a ministra da Educação ajudando a manter a gripe A na agenda dos jornais. Foi golpe de mestre: discutiu-se a gripe mas não os problemas do país no período pré-campanha. Funcionou tacticamente e acertou com o objectivo estratégico. Só não tenho a certeza de que o país tenha ganho. Mas as empresas farmacêuticas também ficaram a ganhar: todas as velhinhas deste país andam com frasquinhos para desinfectar as mãos quando não o fazem com a gripe sazonal, muito mais perigosa do que a gripe A. E os anti-virais venderam-se como imperiais em Verão tórrido.
Mais exemplos se podem dar de manobras tácticas que, estrategicamente, podem ou não ser um desastre. O exemplo mais irritante é a utilização do mecanismo da inveja. Cada vez que se toma uma medida, contra os funcionários públicos, por exemplo, põe-se o país todo contra eles, com mecanismos bem orquestrados de inveja. Quando é contra os professores, faz-se o mesmo e o país clama por justiça popular. Tacticamente funciona, mas a prazo -estrategicamente-, como todos são, em algum momento, vítimas da campanha da inveja, ao fim de quatro anos temos todo o país irritado com Sócrates. Além disso, um povo picado pela inveja é um povo onde o eleitoralismo demagógico tem terreno fértil. E a demagogia e o populismo, estrategicamente, favorecem a direita (leia-se CDS-PP) ou a esquerda radical. E, logo, o PS sai mal, mais uma vez e infelizmente, mas por culpa de quem manda na estratégia governamental (ou será na táctica?).
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Recrutamento de Estudantes
E se as Universidades e Politécnicos, públicos, fossem os responsáveis pela "escolha" dos seus alunos? neste caso, muitos estariam a efectuar processos de recrutamento. Que diferença!
Reparem como é no Harvard College.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
Voltar a Casa
Hoje, no Público, VPValente escreveu um prosa fantástica:
Recebi um pedido - de resto, vago - para escrever um guião (de cinema) sobre um romance de Camilo (no caso, O Esqueleto). Resolvi ler a obra toda - uma apreciável empreitada. Não me vou expandir em considerações literárias, para que não tenho competência.Recebi um pedido - de resto, vago - para escrever um guião (de cinema) sobre um romance de Camilo (no caso, O Esqueleto). Resolvi ler a obra toda - uma apreciável empreitada. Não me vou expandir em considerações literárias, para que não tenho competência. Embora não inteiramente analfabeto, três coisas me fizeram impressão. Primeira, a quantidade de palavras, que não conhecia e que fui obrigado a procurar em dicionários (os melhores do mercado), em que elas, para minha surpresa, não constavam. Segunda, as dificuldades da construção sintáctica, que já não me era familiar e quase me obrigou a decifrar certo português como latim. E, terceira, o já esperado embaraço - e também vergonha - de traduzir prosa para acção. Como dizia alguém a Scott Fitzgerald, por volta de 1930, não é possível fotografar adjectivos - nem verbos, nem preposições.
O empobrecimento da língua (não só devido à minha idade) custa. Não se lê interminavelmente uma prosa primária - na imprensa e nos livros que vão saindo - sem sofrer as consequências. Um dia, há pouco tempo, uma figura notável dos jornais (um director) resolveu declarar o meu "estilo" antigo. E, na medida em que usa mais de cem palavras, com certeza que é. Mas não me parece que o "estilo" SMS ou o "estilo" TV tenham aumentado consideravelmente a capacidade da expressão humana (e, em particular, da portuguesa). Sei muito bem, e tristemente, que a cultura das letras começa a desaparecer e está, a muito curto prazo, condenada. Mas não deixo de lamentar que o prazer de uma frase, de um parágrafo ou de uma vírgula maléfica se percam para sempre.
Este último ano que passei na televisão não foi feliz, sem culpa nenhuma para Manuela Moura Guedes, que me tratou com inalterável generosidade. À parte a minha má imagem (um understatement), a minha má voz, geral incoerência e péssima dicção, sucede que escrever (um ofício em que me eduquei) é exactamente o contrário de falar. Quem fala improvisa; quem escreve calcula, planeia, emenda, substitui. Os dois processos são contrários. Pior, são incompatíveis. Verdade que a prosa acabou por me levar à televisão: um compreensível acidente. Só que "um homem de letras", mesmo medíocre, nunca, no fundo, se transforma. Voltar a este privilegiado canto é, para mim, como voltar para casa.
domingo, 30 de agosto de 2009
PROGRAMA ELEITORAL DO PSD – 2009: educação (1)
(...)
Vamos suspender de imediato o actual modelo de avaliação e rever o Estatuto da Carreira Docente, abolindo o regime de divisão actual.
(...)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Recuperação
Ainda me falta energia para voltar a escrever. Vou continuar a twitar e aproximar-me do mar. Quanto à economia, há sinais ... mas, o irresponsável de há muito, apressadamente já veio anunciar "o princípio do fim da crise".
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