terça-feira, 5 de maio de 2015

A Indústria de Software (Diário de Aveiro, 5/5/2015)

Hoje em dia, o outsourcing de desenvolvimento de software é uma tendência muito comum, para grandes, médios e até pequenos fornecedores de todo o mundo. Assumindo-se, assim, como um importante driver do mercado de TI. Nas últimas décadas o outsourcing de tecnologia da informação (ITO) tornou-se uma questão importante para empresas de desenvolvimento de software. Daí que, o outsourcing de software tem vindo a ser alvo de diversos estudos de investigação e desenvolvimento em vários países do mundo (por exemplo na Alemanha). Isto, não só pelos benefícios do baixo custo da mão-de-obra em países em desenvolvimento, mas, também, pela disponibilidade de um conjunto de mão-de-obra altamente qualificada, sujeita a um processo dinâmico de contratação, constituindo, desta forma, um forte driver da tendência para o outsourcing. Se, há muitos anos, o outsourcing era contratualizado para toda a estrutura de TI, nos dias de hoje, temos outsourcing em componentes da mesma, nomeadamente para as atividades específicas do desenvolvimento de software e do seu ciclo de desenvolvimento. Se, inicialmente, os players de outsourcing eram só as grandes empresas, ultimamente também são as de média dimensão e as PME’s, especialmente na Alemanha, que é um caso de estudo de diversos trabalhos de investigação e que serve como modelo para as PME’s de todo o mundo, comprovando o sucesso do outsourcing, pela sua evolução frutífera, dentro da economia alemã. Por exemplo, no German Software Industry Survey 2013, o sector é caracterizado por um estado da arte muito completo. Nele são analisados os modelos e as estratégias das empresas alemães de software, dando particular atenção à formação de Grupos Estratégicos, que emergem segundo critérios e interesses similares, e aos Software Ecosystems (parcerias de empresas ou estruturas colaborativas). Dele destacam-se alguns dos resultados, mais relevantes: a generalidade das empresas tem pouca idade; há um elevado número de pequenas empresas; as grandes empresas dominam o sector, em termos de recursos humanos e receitas. Isto acentua alta concentração no sector e a importância das grandes empresas para a indústria de software; as empresas de software consideram a diferenciação como sendo mais importante do que as estratégias de baixo custo; por outro lado, a rentabilidade e crescimento são dois objetivos simultâneos; as opções tradicionais prevalecem, tais como a cobrança direta aos utilizadores finais, utilização de preços independentes de uso e utilização de plataformas clássicas (servidores, desktop / laptop). Contudo, o modelo de software on-demand, as plataformas de computação móvel e cloud estão claramente a ganhar quotas de Mercado; Software Ecosystems (estruturas colaborativas): 70% das empresas trabalham em parceria, num modelo de “hub” – uma empresa líder, rodeada por pequenas PME’s (“spokes”), ligadas às suas plataformas ou produtos. Os mais importantes são: Microsoft, Oracle, SAP, Google/Android e a Apple. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.

Os centros de serviços partilhados em Portugal (Diário de Aveiro, 22/4/2015)

“Portugal é um destino atrativo”, afirmou recentemente Vincent Rouaix, presidente do grupo francês Gfi Informatique, salientando que “Portugal é um dos centros de nearshore mais interessantes da Europa, em virtude das condições de proximidade, condições financeiras competitivas (incentivos do governo, etc), nível de trabalho altamente qualificado, competências linguísticas e comunicacionais e o espirito de compromisso”. Para a Deloitte, a revolução das TIC foi o elemento catalisador que levou ao surgimento dos serviços partilhados e do outsourcing em regime de offshoring na década de 80 do século passado, tendo permitido às empresas fragmentarem os seus processos no mercado global, de forma eficaz e eficiente. Portugal volta a ser destacado no mercado internacional dos serviços de base tecnológica através da Associação Portugal Outsourcing (APO), que em maio de 2014 foi incluída na short-list dos 2014 European Outsourcing Association Awards, na categoria “Offshoring Destination of the Year”. A 5ª edição deste evento, em Londres, reuniu os principais stakeholders do mercado de Outsourcing da Europa, onde se premeia as melhores práticas e esforços das empresas e indivíduos que demonstraram excelência no mundo do Outsourcing em 2013/2014. Esta distinção surge depois do recente reconhecimento feito pela Gartner, que voltou a classificar Portugal, pelo 4.º ano consecutivo, como um dos 14 países desenvolvidos líderes para a prestação de serviços de Tecnologia de Informação e Business Process Outsourcing. Tendo em conta a boa avaliação ao longo destes anos, Portugal é considerado um potential nearshore country. José Carlos Gonçalves, Presidente da Direção da APO, afirmou a propósito desta distinção: “O reconhecimento feito ao nosso país resulta de uma combinação dos fatores competitivos de que Portugal dispõe. Portugal é referido uma vez mais como um destino com disponibilidade de profissionais com elevadas competências e qualidades nas áreas de TIC e Processos de Negócio. Também a alta qualidade e robustez das infraestruturas e a existência de legislação adequada no domínio da proteção eficaz em matéria de privacidade e segurança da propriedade intelectual e de dados são alguns dos atributos de Portugal”. Neste contexto importa, assim, destacar, de entre os pontos fortes, o elevado nível de qualificações e as competências linguísticas, nomeadamente o inglês, que caracteriza a mão-de-obra portuguesa. Destaca-se ainda, o facto de Portugal apresentar uma elevada competitividade ao nível do custo da mão-de-obra, resultante da prática de salários nominais mais baixos, bem como da apresentação de custos unitários do trabalho inferiores (rácio entre as remunerações por trabalhador e a sua produtividade). No que diz respeito aos pontos fracos, é de destacar a elevada complexidade e instabilidade do sistema fiscal, bem como a respetiva carga burocrática excessiva. Paralelamente, o desconhecimento internacional de Portugal enquanto destino de nearshoring constitui uma fraqueza muito relevante, na medida em que reduz a probabilidade de inclusão do País nas long lists de potenciais localizações, aquando dos processos de implementação de centros de serviços partilhados. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.

sábado, 4 de junho de 2011

Gestão de Pessoas em tempos de incerteza

Partilho um artigo, que eu gostava de ter escrito, de António Henriques da CH Consulting, publicado na revista Human.

sábado, 21 de maio de 2011

Finanças do Município de Coimbra: gerir com olhos no futuro (DC - 20/5/2011)

As verbas que estão disponíveis num orçamento de um município, são, em grande parte, resultantes de impostos e taxas pagas pelos contribuintes, que o fazem com muito trabalho e esforço. Por isso, nós, os autarcas, temos de tratar o dinheiro público com muito respeito. No passado dia 27 de Abril de 2011, a Assembleia Municipal aprovou as contas de 2010, efectuadas por profissionais competentes, autenticadas por Revisores Oficiais de Contas e enviadas para o Tribunal de Contas.
Obtiveram-se Resultados Líquidos positivos, cerca de 2,6M€, que se traduz num crescimento de 3%, relativamente a 2009. Decorrente da actual conjuntura económica e financeira, a meio do ano fomos confrontados com a implementação do PEC II, que resultou numa diminuição das transferências inicialmente previstas, aquando da aprovação do Orçamento de Estado, em cerca de -750 mil €; uma redução na cobrança de alguns impostos directos de referência, tais como o IMT (-500 mil €) e a Derrama (-800 mil €); acompanhados, também, pela queda dos impostos indirectos (-620 mil €) e das taxas, multas e outras penalidades (-80 mil €).
O aumento dos resultados líquidos é essencial para atingir a autonomia financeira da Autarquia, de forma a trabalharmos num quadro de finanças equilibradas.
Para além do Resultado Líquido, houve uma variação positiva de 7%, face a 2009, dos Meios Libertos que permitem avaliar a capacidade em assegurar a manutenção do capital, garantir as comparticipações a entregar ao Estado, assegurar a amortização do capital alheio e assegurar o crescimento da organização.
Quanto aos rácios de liquidez, que medem a razoabilidade dos níveis de tesouraria, ajudam a antecipar problemas e a aproveitar oportunidades, obtiveram-se variações muito positivas relativamente a 2009.
Estes indicadores têm um relacionamento positivo com a promoção de uma criteriosa contenção e abatimento da despesa autárquica, nomeadamente a diminuição de 44% da dívida a fornecedores, bem como a redução de custos: -4% nos custos operacionais; -37% nos custos e perdas financeiros e -44% nos custos e perdas extraordinários.
Contudo, verificou-se um aumento dos encargos com a dívida bancária de média e longo prazo (MLp), devido ao final do período de carência do empréstimo do Estádio Cidade de Coimbra, que representam 46,99% do total da divida de MLp, correspondente a um encargo de 2M€/ano até 2027.
Estamos, assim, num processo de contenção e rigor do lado da despesa e gestão pró-activa da receita, de forma a podermos fazer face aos projectos em curso, como por exemplo o Convento de S. Francisco, onde o Governo limitou o empréstimo de MLp de 11M€ a 5,3M€, e os Centros Escolares (Solum, Tovim, Montes Claros e Quinta das Flores), com cerca de 5 M€, financiados exclusivamente com capitais próprios e fundos comunitários.