terça-feira, 15 de setembro de 2015

"OCDE: Portugal tem mais alunos com acesso a computadores" Observador - 15/9/2015

"OCDE: Portugal tem mais alunos com acesso a computadores" (Observador - 15/9/2015, http://observador.pt/2015/09/15/ocde-portugal-tem-mais-alunos-com-acesso-a-computadores/). Neste relatório da OCDE "Portugal surge assim em primeiro lugar neste ranking que compara a existência de computadores nas escolas mas, nem por isso, os alunos se destacam nos testes quando comparados com outros países com menos oferta." "... o relatório conclui que as escolas e professores ainda não estão a rentabilizar suficientemente estas tecnologias." Claro que não! Deixo um artigo que escrevi em 2013.

CoderDojo (Diário de Aveiro, sup. Economia, 8/9/2015)

A segunda Conferência Scratch do MIT realizada na Europa - Scratch 2015 - teve lugar em Amesterdão de 12 a 15 de agosto de 2015. Professores, investigadores, criadores de software e outros membros da comunidade Scratch de todo o mundo reuniram-se para celebrar e partilhar as possibilidades criativas do Scratch. O tema da conferência foi Comunidades Criativas. As comunidades inspiram e promovem a criatividade, elas permitem que as pessoas partilhem ideias, competências e descobertas. Antes do início oficial da conferência realizou-se um seminário sobre CoderDojo, promovido pela empresa Liberty Global. CoderDojo é um movimento global aberto e sem fins lucrativos para ensinar jovens dos 7 aos 17 a programar, numa base de mentores voluntários da comunidade, funcionando em acções-momentos (Dojo) do tipo clubes de programação. Nestes espaços os jovens aprendem a codificar (programação), desenvolvendo projectos de jogos, robótica, histórias narrativas, sites, etc, explorando a tecnologia num ambiente informal e criativo. Dentro do movimento CoderDojo há um foco na comunidade, na aprendizagem entre pares, mentoring e auto aprendizagem, incentivando-se a criatividade e o divertimento num ambiente descontraído, com ênfase em mostrar como a codificação é uma força de mudança no mundo. Os jovens enquanto desenvolvem estes projectos de programação, também estão a desenvolver competência do processo de design, de como tratar uma ideia: gerir o momento da chamada faísca de uma ideia, de como transformá-la num projecto completo e funcional, ou seja estão a desenvolver os princípios básicos do processo de concepção e de como experimentar com novas ideias, pegando em algo complexo e dividi-lo em partes mais simples, como colaborar com os outros em tarefas de um projecto, como tratar os problemas, desenvolvendo soluções para corrigir os erros, como manter a determinação, não desistindo, encontrar caminhos alternativos, sendo persistente e manter a perseverança nos momentos difíceis. E qual o papel das empresas neste movimento? devem ter um papel muito activo. A exemplo da Liberty Global, um dos maiores operadores de rede do mundo, é um excelente caso de envolvimento, sendo o patrocinador chave e o primeiro doador corporativo pan-europeu de mais de 60 CoderDojo em toda a Europa, que, em 2014, envolveram mais de 2.000 jovens. Estes apoios são complementares às muitas outras iniciativas de inclusão digital da empresa. Estes projetos têm o potencial para ajudar a resolver o défice de competências digitais e trazer uma série de novas oportunidades de emprego para a juventude da Europa, enquadrando-se na iniciativa da Comissão Europeia: “The Grand Coalition for Digital Jobs”. Um exemplo a seguir pelas empresas portuguesas.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A Evolução do Outsourcing: de Transacional para Parcerias Colaborativas (Diário de Aveiro, 2/6/2015)

O outsourcing na indústria eletrônica evoluiu dramaticamente durante a última década. Na sua primeira forma, mais elementar, no modelo OEM (Original Equipment Manufacter): ‘Fazer versus Comprar’, as decisões eram baseadas, em grande parte, nas oportunidades para reduzir custos ou encontrar fabricação especializada e precisa. Os fornecedores de outsourcing assumiam a fabricação de produtos específicos numa base de contractos específicos. Através de economias de escala, por via de muitos desses contratos, os fabricantes foram capazes de alavancar capacidade operacional, capacidade baseada em mão-de-obra barata e outras competências para diminuir os custos do OEM. Este modelo convencional de outsourcing serviu o sector de OEM da industria eletrônica até meados dos anos 1990, quando a procura era relativamente previsível, a concorrência era menor e menos agressiva e os produtos eram mais simples. Depois, a situação começou a mudar: os produtos tornaram-se mais complexos. As OEM constataram que tinham que aumentar dramaticamente os investimentos em bens de capital para manter com novos requisitos de fabricação, reduzindo substancialmente que os seus lucros. Assim, o ritmo da inovação aumentou dramaticamente, para haver produtos com ciclos de vida mais curtos e aumentar da pressão para diminuir o tempo de chegar ao mercado. Os clientes tornaram-se cada vez mais exigentes e inconstantes, num modelo de mercado muito partilhado. Em resposta, muitas OEM evoluíram para regime de outsourcing de parceria para desenvolvimento de novos produtos, reduzindo custos e tempo (ciclo de desenvolvimento). Os OEM verificaram que se tivessem mais contractos de colaboração em outsourcing, melhoravam a sua capacidade de planeamento e adquiriam capacidade de resposta às rápidas mudanças do mercado. Colocando em outsourcing a fabricação e algumas atividades de "upstream" da sua cadeia de abastecimentos, as OEM constaram que poderiam concentrar-se nas suas competências essenciais, nucleares. Durante a década de 1990, a quota europeia de produção de semicondutores aumentou para mais de 15% da produção mundial. No entanto, na última década, ele caiu para baixo dos 10% (Japão 22%; Coreia do Sul 18%; Taiwan 17%; os EUA 13%). No entanto, a Europa tem pontos fortes em mercados verticalmente integrados, como o automóvel, energia, segurança, smartcards e uma posição de liderança em novos mercados, como sensores e microssistemas. Com o plano “A European Industrial Strategic Roadmap for Micro- and Nano-Electronic Components and Systems”, que completa a ação da Estratégia Eletrônica para a Europa, cujo orçamento total previsto é de € 5 bilhões ao longo dos próximos sete anos, a Comissão Europeia assumiu que a Europa pode capturar até 60% de novos mercados eletrônicos e dobrar o valor econômico da produção de componentes de semicondutores na Europa nos próximos 10 anos. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A indústria de software em Portugal (Diário de Aveiro, 19/5/2015)

Em Portugal não há muito estudos sobre este sector. No entanto, é reconhecido que a área do software é uma das que apresenta maior crescimento orgânico e económico no contexto dos últimos anos (mesmo em tempo de crise). Pese a sua importância, nem sempre é uma área de core business para as organizações. Veja-se um exemplo do ecossistema da Inova-Ria, o caso da ISA. O seu core business é a telemetria mas também não deixando de ter e suportar um importante e não menos relevante departamento de software. Muitas empresas, na área do software, têm uma dimensão reduzida (PME) não dispondo, por consequência, de massa crítica capaz de grandes investimentos ou apostar em atividades de internacionalização. Adicionalmente, tendem a estar centradas em competências específicas e no investimento necessário para desenvolver essas mesmas competências e outras adicionais (novas). A este nível é, também, de realçar a baixa capacidade de investir de forma representativa e sistemática em metodologias avançadas de qualidade e maturidade de software (ex: processos e certificação). Em Portugal, as empresas afastadas dos principais centros de decisão, como por exemplo, as que se encontram localizadas na Região Centro (principalmente no eixo Coimbra-Aveiro) onde se situa grande parte do ecossistema da Inova-RIA, têm que lidar com dificuldades acrescidas. Para se ultrapassar as debilidades associadas à sua reduzida dimensão, da falta de escala, podem ser adotados vários modelos, de forma o poder tirar partido de maior massa crítica: investimento em qualificação dos recursos e nas metodologias de desenvolvimento, etc. A Critical Software, uma das empresas do ecossistema da Inova-Ria, é um exemplo de sucesso e tem conquistado a pulso a “presença internacional no competitivo mercado de software”, como sublinhou Gonçalo Quadros, o seu CEO, numa entrevista ao semanário Expresso de 23 de Agosto de 2014. “Na indústria de software em Portugal não há crise, mas se estivermos partilhados e pulverizados em ações individuais não conseguimos ser ambiciosos”, defende, ainda, o líder da Critical Software. Para melhor conhecer a realidade da indústria de software em Portugal, dever-se-á promover, com regularidade anual, um survey: potencial da Industria de Software das PME TICE, como acontece na Finlândia, Alemanha, Áustria, etc. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.

terça-feira, 5 de maio de 2015

A Indústria de Software (Diário de Aveiro, 5/5/2015)

Hoje em dia, o outsourcing de desenvolvimento de software é uma tendência muito comum, para grandes, médios e até pequenos fornecedores de todo o mundo. Assumindo-se, assim, como um importante driver do mercado de TI. Nas últimas décadas o outsourcing de tecnologia da informação (ITO) tornou-se uma questão importante para empresas de desenvolvimento de software. Daí que, o outsourcing de software tem vindo a ser alvo de diversos estudos de investigação e desenvolvimento em vários países do mundo (por exemplo na Alemanha). Isto, não só pelos benefícios do baixo custo da mão-de-obra em países em desenvolvimento, mas, também, pela disponibilidade de um conjunto de mão-de-obra altamente qualificada, sujeita a um processo dinâmico de contratação, constituindo, desta forma, um forte driver da tendência para o outsourcing. Se, há muitos anos, o outsourcing era contratualizado para toda a estrutura de TI, nos dias de hoje, temos outsourcing em componentes da mesma, nomeadamente para as atividades específicas do desenvolvimento de software e do seu ciclo de desenvolvimento. Se, inicialmente, os players de outsourcing eram só as grandes empresas, ultimamente também são as de média dimensão e as PME’s, especialmente na Alemanha, que é um caso de estudo de diversos trabalhos de investigação e que serve como modelo para as PME’s de todo o mundo, comprovando o sucesso do outsourcing, pela sua evolução frutífera, dentro da economia alemã. Por exemplo, no German Software Industry Survey 2013, o sector é caracterizado por um estado da arte muito completo. Nele são analisados os modelos e as estratégias das empresas alemães de software, dando particular atenção à formação de Grupos Estratégicos, que emergem segundo critérios e interesses similares, e aos Software Ecosystems (parcerias de empresas ou estruturas colaborativas). Dele destacam-se alguns dos resultados, mais relevantes: a generalidade das empresas tem pouca idade; há um elevado número de pequenas empresas; as grandes empresas dominam o sector, em termos de recursos humanos e receitas. Isto acentua alta concentração no sector e a importância das grandes empresas para a indústria de software; as empresas de software consideram a diferenciação como sendo mais importante do que as estratégias de baixo custo; por outro lado, a rentabilidade e crescimento são dois objetivos simultâneos; as opções tradicionais prevalecem, tais como a cobrança direta aos utilizadores finais, utilização de preços independentes de uso e utilização de plataformas clássicas (servidores, desktop / laptop). Contudo, o modelo de software on-demand, as plataformas de computação móvel e cloud estão claramente a ganhar quotas de Mercado; Software Ecosystems (estruturas colaborativas): 70% das empresas trabalham em parceria, num modelo de “hub” – uma empresa líder, rodeada por pequenas PME’s (“spokes”), ligadas às suas plataformas ou produtos. Os mais importantes são: Microsoft, Oracle, SAP, Google/Android e a Apple. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.

Os centros de serviços partilhados em Portugal (Diário de Aveiro, 22/4/2015)

“Portugal é um destino atrativo”, afirmou recentemente Vincent Rouaix, presidente do grupo francês Gfi Informatique, salientando que “Portugal é um dos centros de nearshore mais interessantes da Europa, em virtude das condições de proximidade, condições financeiras competitivas (incentivos do governo, etc), nível de trabalho altamente qualificado, competências linguísticas e comunicacionais e o espirito de compromisso”. Para a Deloitte, a revolução das TIC foi o elemento catalisador que levou ao surgimento dos serviços partilhados e do outsourcing em regime de offshoring na década de 80 do século passado, tendo permitido às empresas fragmentarem os seus processos no mercado global, de forma eficaz e eficiente. Portugal volta a ser destacado no mercado internacional dos serviços de base tecnológica através da Associação Portugal Outsourcing (APO), que em maio de 2014 foi incluída na short-list dos 2014 European Outsourcing Association Awards, na categoria “Offshoring Destination of the Year”. A 5ª edição deste evento, em Londres, reuniu os principais stakeholders do mercado de Outsourcing da Europa, onde se premeia as melhores práticas e esforços das empresas e indivíduos que demonstraram excelência no mundo do Outsourcing em 2013/2014. Esta distinção surge depois do recente reconhecimento feito pela Gartner, que voltou a classificar Portugal, pelo 4.º ano consecutivo, como um dos 14 países desenvolvidos líderes para a prestação de serviços de Tecnologia de Informação e Business Process Outsourcing. Tendo em conta a boa avaliação ao longo destes anos, Portugal é considerado um potential nearshore country. José Carlos Gonçalves, Presidente da Direção da APO, afirmou a propósito desta distinção: “O reconhecimento feito ao nosso país resulta de uma combinação dos fatores competitivos de que Portugal dispõe. Portugal é referido uma vez mais como um destino com disponibilidade de profissionais com elevadas competências e qualidades nas áreas de TIC e Processos de Negócio. Também a alta qualidade e robustez das infraestruturas e a existência de legislação adequada no domínio da proteção eficaz em matéria de privacidade e segurança da propriedade intelectual e de dados são alguns dos atributos de Portugal”. Neste contexto importa, assim, destacar, de entre os pontos fortes, o elevado nível de qualificações e as competências linguísticas, nomeadamente o inglês, que caracteriza a mão-de-obra portuguesa. Destaca-se ainda, o facto de Portugal apresentar uma elevada competitividade ao nível do custo da mão-de-obra, resultante da prática de salários nominais mais baixos, bem como da apresentação de custos unitários do trabalho inferiores (rácio entre as remunerações por trabalhador e a sua produtividade). No que diz respeito aos pontos fracos, é de destacar a elevada complexidade e instabilidade do sistema fiscal, bem como a respetiva carga burocrática excessiva. Paralelamente, o desconhecimento internacional de Portugal enquanto destino de nearshoring constitui uma fraqueza muito relevante, na medida em que reduz a probabilidade de inclusão do País nas long lists de potenciais localizações, aquando dos processos de implementação de centros de serviços partilhados. Estas são algumas das conclusões retiradas do estudo Micro Outsourcing - Oportunidades e Orientações Estratégicas para PME TICE, recentemente elaborado pelo Grupo CH no âmbito do Projeto Alvos Estratégicos promovido pela Inova-Ria – Associação de Empresas para uma Rede de Inovação em Aveiro, cofinanciado pelo QREN/COMPETE/FEDER e disponível e www.inova-ria.pt.