quinta-feira, 4 de março de 2010

Excelente artigo do Pedro Lomba sobre as eleições do PSD

Pedro Lomba, hoje no Público, capta de forma magistral a "plastificação" de Pedro Passos Coelho, na "mise en scène" que há muito tempo vem fazendo, e o seu sentimento de inferioridade. Notável, por isso o reproduzo neste espaço.

--------------------------------------------
As eleições internas do PSD estão, como se antevia, fortemente bipolarizadas. Continuarão bipolarizadas até ao fim, por muito que Aguiar Branco, um senhor respeitável e competente, tente em vão dar sinais de vida. Havia por isso alguma expectativa, exagerada como são sempre todas as expectativas, para o debate entre Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho anteontem na SIC Notícias.

Um debate é apenas um debate. Este não correu bem a Paulo Rangel, que esteve defensivo e cauteloso em demasia. Desgraçadamente para ele, também não correu bem a Passos Coelho, que, com os seus maneirismos, as falas decoradas e a agressividade metida a despropósito, numa tentativa forçada de se sobrepor a Rangel que apenas serviu para expor o seu sentimento de inferioridade, confirmou a principal crítica que lhe tem sido feita: a de que é um político sem espessura, sem pensamento próprio, que tenta a todo o custo fazer-se passar pelo que não é.

Nesta coluna, devo notar, não faço parte do clube dos "analistas" e menos ainda dos politólogos-comentadores, muito em voga nos nossos dias, que entre citações do último jornal da Universidade de Helsínquia, sustentam opiniões tão políticas, subjectivas (e por isso discutíveis) como todas as outras. O meu critério é claro: defendo aquilo em que acredito e critico aquilo em que não acredito. Não há distanciamento, nem objectividade possível. Exerço o meu direito a ser saudavelmente tendencioso. E, nesta eleição do PSD, se fosse militante, eu não hesitaria: escolheria Paulo Rangel. E até avanço porquê: pela primeira vez desde que tenho memória na vida política portuguesa, encontro um político no centro-direita (tirando Paulo Portas) que se formou, educou e politizou autonomamente fora das querelas infecciosas que minam aquele partido.

Quando afirmo que Passos Coelho se faz passar pelo político que manifestamente não é, ocorrem-me vários exemplos deste estilo. Eis um político que tenta em permanência transmitir uma imagem, uma experiência, um perfil de renovador, apresentando-se sempre na sua suposta frescura e juventude, como se fosse um outsider, mas que, na verdade, anda metido na política desde a adolescência e interiorizou todos os seus vícios e dependências. Mudar o quê?

Eis um político que quer liderar um partido, que aspira a ser oposição a José Sócrates, mas manteve com ele no último ano e meio uma relação de cumplicidade tácita, fazendo mais oposição interna do que externa e silenciando-se num conjunto de questões centrais. Eis um político que deseja vender a ideia de que possui um percurso profissional autónomo quando, sejamos claros, tem atrás dele a figura tutelar de Ângelo Correia. Mudar o quê?

Eis um político que que tenta passar um ar juvenil, ágil e "moderno" nas entrevistas, dizendo que leu isto e fumou aquilo; que descobriu aos 45 anos e qualquer coisa que era "liberal", depois de nunca lhe ter sido conhecida uma ideia e maturação política em décadas de "carreira" partidária. Eis um político que promete mudança e sangue-novo, mas que surge aliado ao pior do aparelhismo, do menezismo, do marco-antonismo e outros ismos, mais desse grande mentor de rotundas que é Fernando Ruas. Sim, mudar o quê?

Quase seis anos de José Sócrates deveriam ser a nossa vacina contra a plastificação na política. Não tivemos já que chegue de políticos postiços, com os seus guiões que eles repetem sem perceber, o seu comércio de poses em público, o estilo de autómato, aquele profissionalismo mediático que é no fundo um disfarce de coisa nenhuma? Não tivemos disso que chegue? Pode ser que continuem a querer disso, até acordarem no dia seguinte vítimas de uma ilusão que deixaram passar. Jurista

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PORDATA: serviço público por uma entidade privada

PORDATA: Bases Dados do Portugal Contemporâneo. Um grande obrigado à Fundação Manuel dos Santos. Na hora das compras, um impulso consciente levar-me-á mais vezes ao Pingo Doce.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Inadmissível: Atrasos no pagamento das bolsas de estudo

Quando estive Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra (ESEC) lidei com centenas de alunos com bolsas de estudo, encontrei casos altamente problemáticos, nos limites. Internamente, na ESEC, encontrámos soluções, envolvendo os alunos em actividades remuneradas (salas de informática, estudos, biblioteca, etc), num projecto chamado ESEC Suporte. Foram apoiados centenas de alunos. Paralelamente, destaco a introdução do pagamento de propinas em oito (8) prestações, o que foi uma inovação ao nível do sector público. No âmbito do IPC, os serviços Sociais mantiveram, sempre, as bolsas em dia, amortecendo os atrasos do Ministério através de pagamentos com verbas internas. Por tudo isto, é lamentável que no Público de hoje as alunas na foto sejam da ESEC, não havendo declarações dos responsáveis do IPC e que há instituições com capacidade de influenciar o poder central: As Universidades de Lisboa e Porto "garantem ter recebido as verbas necessárias para pagar as bolsas a horas".
Mal de quem precisa e vive num inferno. Os outros, os responsáveis pela gestão, que recebem ordenado certo ao fim do mês, conseguem conviver "bem" com estas situações. Inadmissível!

Paulo Rangel: Qual é a sua ruptura na educação?

Foi no i online, onde responde à pergunta: Qual é a sua ruptura na educação?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Paulo Rangel e a Educação Clássica

Há muito que registo o percurso do Paulo Rangel. Uma vez na Pavilhão de Portugal, em Coimbra, disse que o ter estudado Latim tinha-o enriquecido determinadamente, não só para os "skills" das línguas, mas em toda a sua educação. Hoje, depois o "conhecer" melhor e de ter passado 3h a ouvi-lo falar sobre Educação, é cada vez mais evidente que "A educação é o cultivo da sabedoria e da virtude", e quantos benefícios retira deste aprendizado. Acredito, que está perfeitamente consciente, até porque o Pacheco Pereira já lhe dever ter "dito", que "aqueles que não conhecem a história, estão condenados a repeti-la”.